Um dia de inverno, o vento a puxar a chuva, o barulho dos relâmpagos a sentir-se, e uma chamada tua a dizeres que estás perto de minha casa e pedires para ir ter contigo. Saio de casa a correr, de vestido como se tivesse no verão esquecendo o frio que estava lá fora e deparo-me contigo. Os meus olhos brilham, o meu sol abriu-se e o calor chegou quando me puxas para ao pé de ti e me abraças, abres o casaco e me enrolas em ti. Ouço o teu bater do coração sentindo o meu a aumentar cada vez mais. Anseio por uma palavra tua, e quando mais espero ouvi-la, afastas a minha cabeça do teu peito, olhas para mim e beijas-me. Começa a chover, os teus lábios molhados tocam nos meus, choro sem tu te aperceberes e sai uma palavra tua “desculpa”. Sem saber o que dizer e pensar, sem perceber o porquê olho para ele com aquele olhar de quem não está a perceber e ele diz-me “desculpa de te ter deixado ir, de te ter perdido, de te ter magoado. Sempre te amei, mesmo quando cometi o erro de ir ter com outras raparigas achando que elas me podiam fazer-te esquecer. Fica comigo outra vez, não voltarei a errar, és tudo, casa comigo.” Eu envergonhada, emocionada, sinto o meu coração a mil, abraço-o e peço-lhe que nunca mais me largue. Afinal de contas ele era o meu passado, tentava mostrar que não era o meu presente, mas no fundo era, e queria que fosse o meu futuro.

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